Nove da noite no horário local — uma hora a menos que no resto do Brasil —, e eu estou no aeroporto de Sinop, em Mato Grosso. Espero o avião para Alta Floresta. O aeroporto parece ter sofrido uma devastação. Está em obras. O espaço que já era mínimo ficou ainda menor com as áreas isoladas pelas fitas amarelas e pretas. Não há lugar para sentar e esperar o avião, que está atrasado. A internet funciona, e a rede tem o nome de “Evo”.
Tento achar algo aberto no andar de cima para comprar uma barra de cereais que me aplaque a fome depois de um dia de trabalho sem tempo para o almoço. Tudo o que se vê são cadeiras sobre as mesas e um correntão cercando a geladeira. Haveria suco para vender, se houvesse gente atendendo, mas a única lanchonete está fechada também.
O nome do aeroporto é Presidente João Figueiredo. Nada estranho, afinal, foi na ditadura que nasceram esta e várias outras cidades aqui. Desde então, a região é uma área de expansão de soja, algodão, milho e, sobretudo, pecuária. A floresta é abatida de maneira incessante ano após ano.
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